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Quando o aparelho auditivo não é mais suficiente?

Foto do escritor: Dra. Vanessa Ribeiro Orlando
Dra. Vanessa Ribeiro Orlando
6 de out.
4 min de leitura

O aparelho auditivo é uma das principais opções para pessoas com perda auditiva. Ele amplifica os sons e pode melhorar significativamente a comunicação e a qualidade de vida.


No entanto, em alguns casos, mesmo com um aparelho auditivo adequadamente ajustado e utilizado de forma correta, a compreensão da fala permanece limitada.


É nesse contexto que outras tecnologias auditivas, como o implante coclear, podem ser consideradas.


Diferentemente do aparelho auditivo, que amplifica o som, o implante coclear transforma os sons em estímulos elétricos e estimula diretamente as estruturas neurais responsáveis pela audição. Dessa forma, pode proporcionar acesso aos sons e à fala para pessoas que apresentam determinados tipos e graus de perda auditiva e que não obtêm benefício suficiente com a amplificação convencional.


Quando o aparelho auditivo pode não ser suficiente?


Nem sempre a dificuldade para ouvir significa que o aparelho auditivo deixou de funcionar ou que ele não é mais adequado.


Antes de considerar outras alternativas, é importante avaliar:


  • se o aparelho está adequadamente regulado;

  • se está sendo utilizado pelo tempo recomendado;

  • se existem alterações no ouvido que precisam ser tratadas;

  • se houve progressão da perda auditiva;

  • se o aparelho está proporcionando o benefício esperado;

  • e, principalmente, se a compreensão da fala permanece limitada mesmo com a amplificação.


Quando, apesar dessas medidas, o benefício auditivo continua insuficiente, pode ser necessário investigar outras possibilidades.


Quais são as principais situações em que o implante coclear pode ser considerado?


O implante coclear é uma das opções de reabilitação para pessoas com perda auditiva neurossensorial importante, especialmente quando o benefício proporcionado pelos aparelhos auditivos convencionais é insuficiente.


A indicação é individualizada e leva em consideração diversos fatores.


1. Benefício insuficiente com o aparelho auditivo


Uma das situações mais importantes é quando o paciente utiliza o aparelho corretamente e, mesmo assim, continua apresentando dificuldade significativa para compreender a fala.


Não se trata apenas de “escutar mais alto”. O objetivo da reabilitação auditiva é permitir que o paciente tenha acesso aos sons e consiga compreender a fala de maneira funcional.


2. Perda auditiva de grau severo a profundo


Em perdas auditivas mais acentuadas, mesmo aparelhos auditivos potentes podem não proporcionar acesso suficiente aos sons da fala.


Nessas situações, o implante coclear pode ser uma alternativa, desde que os critérios clínicos, audiológicos e anatômicos sejam atendidos.


3. Dificuldade importante para compreender a fala


Algumas pessoas conseguem perceber que alguém está falando, mas têm dificuldade para entender as palavras, mesmo utilizando aparelhos auditivos.


Os testes audiológicos realizados durante a avaliação ajudam a determinar quanto o paciente realmente se beneficia da amplificação.


Esse aspecto é fundamental: a decisão não deve ser baseada apenas no grau da perda auditiva apresentado na audiometria.


4. Perda auditiva em crianças


Nas crianças, a avaliação merece atenção especial porque a audição tem papel fundamental no desenvolvimento da linguagem e da comunicação.


Quando uma perda auditiva importante não proporciona acesso adequado aos sons da fala, mesmo com aparelhos auditivos bem adaptados, o implante coclear pode ser considerado em determinadas situações.


A indicação e o momento ideal dependem de fatores como idade, tipo e grau da perda auditiva, tempo de privação auditiva, desenvolvimento auditivo e de linguagem, uso e benefício dos aparelhos auditivos, além de outras características individuais.


5. Perda auditiva que piorou ao longo do tempo


Uma pessoa pode utilizar aparelhos auditivos durante anos e, posteriormente, perceber que já não consegue ouvir ou compreender como antes.


Isso pode acontecer devido à progressão da perda auditiva, mas também pode estar relacionado a outros fatores.


Nesses casos, uma nova avaliação audiológica é fundamental para verificar se é necessário apenas reajustar ou substituir os aparelhos auditivos ou se existe indicação para outra tecnologia auditiva.


Como é feita a avaliação para o implante coclear?


A indicação do implante coclear não depende apenas do resultado da audiometria.


Durante a avaliação, podem ser analisados:


  • audiometria e outros exames audiológicos;

  • testes de reconhecimento e compreensão da fala;

  • benefício obtido com os aparelhos auditivos;

  • histórico e evolução da perda auditiva;

  • idade em que a perda auditiva ocorreu;

  • avaliação clínica;

  • exames de imagem, como tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética;

  • anatomia da orelha interna;

  • condições das estruturas relacionadas à via auditiva;

  • e outros fatores que possam interferir no resultado da reabilitação.


Por isso, duas pessoas com graus semelhantes de perda auditiva podem ter indicações diferentes.


A avaliação deve ser realizada por uma equipe especializada, que irá analisar não apenas os resultados dos exames, mas também as necessidades e expectativas de cada paciente.


Quanto antes procurar ajuda, melhor


A perda auditiva não deve ser acompanhada apenas quando começa a interferir intensamente na rotina.


Dificuldade para acompanhar conversas, necessidade constante de aumentar o volume da televisão, dificuldade para compreender as pessoas mesmo em ambientes silenciosos e tendência ao isolamento social podem ser sinais de que é hora de realizar uma nova avaliação auditiva.


E existe um ponto importante: não é preciso esperar que a audição fique “muito ruim” para procurar ajuda.


Quando o aparelho auditivo já não oferece o benefício esperado, existem outras possibilidades de tratamento e reabilitação. O implante coclear pode ser uma delas, mas sua indicação deve ser feita de maneira individualizada.


Se você ou alguém da sua família utiliza aparelhos auditivos e continua com dificuldade para compreender a fala, procure uma avaliação com um especialista em otologia e audição.


Uma investigação adequada é o primeiro passo para entender por que o aparelho não está proporcionando o benefício esperado e qual tecnologia auditiva pode oferecer o melhor resultado para cada caso.



 
 
 

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